Como realizar um sonho mesmo com a pressão da sociedade

Se tem uma pergunta que eu respondo desde que me entendo por gente é: “O que você quer ser quando crescer?”. E quando somos pequenos, respondemos coisas como: bailarina, cantor, ator, astronauta, bombeiro… E todos acham lindo e maravilhoso. Depois de um tempo, parecem sonhos pretensiosos demais. Quantos de nós realmente temos  a chance de ser bailarinos, cantores ou astronautas? Pouquíssimos. O sonho parece ser distante demais. E se tem uma coisa que eu ouvi muito foi: “Fulano resolveu fazer faculdade de música, vai morrer de fome!”. Ou “Beltrano é louco, acha que vai chegar onde fazendo esse curso?”

como realizar um sonhosComo eu superei a pressão

como realizar um sonhosMinha infância foi recheada de atividades – e tenho certeza que minha mãe fez o melhor que pode e que muitas crianças gostariam de ter a oportunidade que eu tive, mas no fim das contas, eu aprendi demais e sonhei de menos.

Precisei de uma dose extra de sufoco para largar tudo e ir fazer o que eu realmente queria. O problema é que muitas vezes, até hoje, não sei o que realmente quero. Me reinvento a cada dia.

Quando fui prestar vestibular, minha primeira opção era arquitetura. Mas dentre os avisos de “isso não é para você, vai morrer de fome, eu acho que você está ficando louca e você nunca fez um desenho na vida”, acabei fazendo uni-duni-tê  e indo fazer biotecnologia. Confesso que amei meu curso… Adorava toda aquela ciência e tudo mais, mas no meio do caminho achei que Letras combinaria mais comigo.

Minha mãe quase surtou. Meu curso era só de 3 anos, era melhor terminar, arrumar um emprego e aí sim, se ainda quisesse, cursar letras. Mas os avisos de “vai morrer de fome” voltaram a aparecer…

Achei que seria mais prudente da minha parte seguir o sonho da docência de outra forma. Poderia fazer mestrado, doutorado e dar aulas em alguma universidade renomada. E lá fui eu na minha jornada “passar no mestrado”.

Pela minha mãe eu já teria desistido pelo meio do caminho, entrado numa faculdade de direito e ido prestar concurso público. Coisa linda: estabilidade, rotina, dinheiro entrando na conta todo mês.

E apesar da parte financeira ser boa, o resto não se encaixava na minha vida. Eu não queria a tal estabilidade e muito menos rotina. Acabou que no meio do caminho do mestrado, achei que aquilo também não era para mim. Resolvi que queria viajar o mundo. Talvez um ano sabático.

Como passei grande parte da vida sem muita liberdade para sonhar, tentando me encaixar nos padrões, qualquer pensamento que aparecia na minha mente parecia ser um sonho legal para perseguir.

Como realizar um sonho

como realizar um sonhosAssim como a Nathalie, que escreveu o Manual para Jovens Sonhadores, eu também queria viajar – e ainda quero. Eu também queria conhecer o mundo e estava um pouco sufocada com essa necessidade gritante de me encaixar a todo custo.

Abandonei um mestrado que demorei anos para entrar para escrever textos na internet. Parecia surreal para minha família. Minha mãe dizia que eu tinha voltado a ser adolescente e ninguém conseguia entender o que se passava na minha mente. Eu era louca, só podia.

No meio de tudo isso ainda conheci meu marido. E fomos morar juntos com cerca de 6 meses de relacionamento. Mais um motivo para surtarem… Mas já que estava tudo de ponta cabeça, que mal tinha?

Foi exatamente nesse momento, em que tudo estava de cabeça para baixo para o resto do mundo, que eu descobri que poderia fazer tudo o que eu quisesse.

Poderia sonhar o que quisesse e que com um pouquinho de esforço, ia dar certo.

Descobri isso aos meus 24 anos. Hoje, 2 anos depois, consigo perceber que esses últimos anos foram extremamente libertadores. Agarrei todos os sonhos que passaram por mim. Confesso que muitos deles foram sonhos momentâneos e que talvez, se eu tivesse focado mais em algum deles, teria realizado mais.

Mas não me importo. Esses 2 anos foram de muita descoberta e muito divertidos, apesar dos percalços. Hoje, estou embarcando em outra. Quero me dedicar realmente, quero parar de sonhar e realizar.

Quero começar a correr atrás de cada um dos sonhos que fazem sentido para mim. Os últimos 2 anos foram de bagunça. De sonhar, de planejar, de fazer planos mirabolantes que não saíram do papel. Daqui pra frente a história é outra. Daqui pra frente quero realizar.

Mas com um sentimento diferente: quero realizar por mim. Pelo que eu REALMENTE quero, sem a necessidade de me encaixar no que a sociedade – ou a minha família – acha certo para mim. Os últimos 2 anos me libertaram dessa necessidade.

Quero realizar no meu tempo, de acordo com o que sonho de verdade, pelos meus motivos.

Em um pedaço do Manual para Jovens Sonhadores, a Nathalie fala sobre como a mídia mostra que as pessoas que realizam seus sonhos na verdade tiveram sorte. Quando na verdade trabalharam duro e por muito tempo.

E isso me fez refletir sobre o imediatismo que quero as coisas… Ou sobre como vemos só as vitórias das pessoas, mas não vemos seus percalços, os muros que foram erguidos e que tiveram que derrubar, desviar e pular. Não vemos o dia-a-dia, as lágrimas. Não vemos a criação do caminho.

Eu tenho um sonho. Eu quero ajudar as pessoas a realizarem os seus sonhos. Eu quero que muita gente possa sonhar com liberdade de ser o que quer e não o que impõe. Eu quero ajudar empreendedores. Eu quero ajudar as pessoas a realizarem esses sonhos malucos que temos e que pela pressão da sociedade acabamos desistindo.

Não vai ser fácil não… Mas o caminho vai valer a pena. É assim que eu quero viver. Sentindo tudo, trilhando meu próprio caminho e sentindo todos os meus fracassos e comemorando todas as minhas vitórias. Quero aproveitar tudo. Aprender com os meus erros e me julgar menos. Aceitar que eu sempre fiz – e sempre farei – o melhor que podia naquele momento. E que TUDO o que eu sonhar eu poderei realizar.