Como os sonhos dos seus familiares podem atrapalhar seus sonhos

Minha família não vai deixar de me amar devido às minhas escolhas. O meu caminho é só meu e ninguém pode percorre-lo por mim. O que eu quero para mim é o que realmente importa. Eu aceito a minha família e continuo os amando apesar de tudo.

manual-para-jovens-sonhadores-familia1Achou estranho? Bem, é exatamente isso que eu repeti para mim milhares de vezes nessa vida. E confesso, ainda repito. Eu cresci numa família não muito tradicional. Meus pais se separaram quando eu era criança, e eu acabei perdendo o contato com ele. Quando meus pais se separaram eu e minha mãe viemos morar com a minha avó. Minha mãe tem mais 2 irmãos, que também são meus padrinhos. E eu era a única criança da casa, já que meus tios não tinham filhos ainda.

Resumo da história: mandavam – e projetavam expectativas em mim – minha mãe, minha avó, minha tia e meu tio. Era uma salada…

E cada um queria o seu melhor para mim. E foi assim que eu cresci. Depois de um tempo vieram os meus primos e aí meus tios foram projetar suas expectativas deles nos seus respectivos filhos, mas continuaram dando uns palpites.

Eu costumo dizer que as decisões na minha família não são tomadas individualmente. Tudo é discutido com a avó, com a mãe, com as tias, os primos e se bobear os vizinhos entram para palpitar um pouco também. Nós nos reunimos nas noites de sábado e nos almoços de domingo e todo mundo mete o bedelho na vida do outro.

manual-para-jovens-sonhadores-familia2É a prima que passou na faculdade, o primo que não sai do computador, o tio que brigou não sei onde, e por aí vai.

E aí que apesar de isso parecer meio caótico, eu acho isso tudo o máximo. E o que eu acho de mais legal nisso tudo é que eu, e meus primos, aprendemos que precisamos seguir o nosso caminho. Se formos ouvir a todos, vamos ficar malucos e não vamos para lugar nenhum.

Quando eu estava no mestrado e achando que aquele era meu caminho, ouvi um tio dizer que “estava na hora de eu trabalhar, que já tinha dado minha cota de estudo e que eu era meio folgada”. As palavras dele foram mais duras do que isso, mas vamos deixar assim mesmo para não ficar chato.

E isso me fez refletir bastante. Eu achava que estava no caminho certo e que estava agradando família toda com essa história de mestrado. E já estava pensando em abandonar tudo quando fiquei sabendo desse comentário dele. E de certa forma isso me fez pensar: Eu nunca vou agradar a minha família inteira. Não importa o que eu faça, sempre alguém vai achar que eu estou no caminho errado.

Mas essa é a visão deles, não a minha.

manual-para-jovens-sonhadores-familiaEssa era a visão do meu tio, mas provavelmente não era a visão da minha mãe – que surtou quando eu larguei tudo para “ficar na frente do computador o dia inteiro”.

Para minha mãe eu faria faculdade de direito, prestaria um concurso e viveria a minha vida estável para sempre.

Para minha avó, eu precisava casar e ter um marido, filhos e trabalhar aqui na cidade mesmo.

Para o meu tio, estava mais do que na hora de eu arrumar um emprego.

E tenho que dizer para vocês, a hora que eu chutei tudo e resolvi que eu não queria mais fazer mestrado e que eu ia sim trabalhar online e que eu ia sim seguir o MEU CAMINHO, as coisas ficaram estranhas. Eu deixei todo mundo apreensivo.

Minha mãe jurava – e eu acho que ela ainda pensa isso – que eu estava numa crise adolescente fora de época e que eu sou louca, só pode.

Até hoje as pessoas da minha família tentam me convencer a prestar um concurso público e viver a minha vida estável.

Até hoje, me perguntam por que eu trabalho de domingo, para que trabalhar até tão tarde e eu sempre tenho que responder a pergunta: “O que é que você faz mesmo?”.

Eu escolhi um caminho diferente, e ninguém entendeu. Mas, eles continuam me amando, eu continuo amando eles e eu simplesmente sorrio quando alguém me manda prestar um concurso público. É a visão eles. Deixa para lá.

Eu sei que eles querem o melhor para mim. E sei que eles acham que desistir dessa loucura que eu chamo de “trabalho” seria a melhor opção. Eu sei tudo o que eles pensam sobre mim. Mas é isso que eu quero para mim. E o que eles querem para mim, é a visão deles, não a minha.

Talvez o tal concurso público seja o sonho deles, que eles não conquistaram. A tal estabilidade. O não precisar se preocupar se o dinheiro vai cair na conta deles no fim do mês ou não. As certezas… Mas se esse é o sonho deles, quem tem que correr atrás deles são eles, não eu.

Eu corro atrás dos meus sonhos apesar da família, apesar das expectativas, apesar de tudo. O meu caminho eu mesma construo. E tudo continua bem apesar disso.

Se você tiver certeza de que esse é o seu caminho, de que é isso o que você quer, você não precisa brigar com ninguém. Aceite com amor e gratidão as recomendações familiares, sorria e deixe pra lá. Lembre-se de que muitas vezes as pessoas não tem coragem de seguir os próprios sonhos e acabam projetando isso em você. Mas tudo bem, por que isso é problema deles.

E se você quiser saber mais sobre como não deixar a sua família interferir na sua vida, nos seus sonhos e no seu caminho, você pode ler o Manual para Jovens Sonhadores, onde a Trutmann fala sobre isso no capítulo 7!

E lembre-se:  Minha família não vai deixar de me amar devido às minhas escolhas. O meu caminho é só meu e ninguém pode percorre-lo por mim. O que eu quero para mim é o que realmente importa. Eu aceito a minha família e continuo os amando apesar de tudo.